Um fato bobo e óbvio que sempre gosto de falar sobre mim é o quanto gosto de ler. Parece tão natural quanto dizer que eu tenho dois olhos e uma boca: eu gosto de ler.
Como uma criança extremamente tímida e pouco social, a biblioteca sempre foi um refúgio natural na hora do recreio. Me divertia que a bibliotecária tivesse que usar várias fichas pra anotar o histórico de livros que eu pegava.
E é engraçado que os primeiros dinheiros que ganhei na vida foram destinados pra duas coisas, apenas: brinquedos pra minha cachorrinha e livros. Pra minha tristeza, os brinquedos não duraram nem uma tarde sequer e foram aniquilados & enterrados pela Safira no quintal em um local até hoje não determinado. Já os livros...
Vi esse post no kaffeina e me lembrei que um tempinho atrás eu estava conversando com uma amiga da adolescência e relembrando com ela os primeiros livros que comprei com meu dinheiro. Na época não era tão comum e acessível comprar livros pela internet, e eu morava em uma cidade pequena que não tinha livrarias ou sebos. Então, onde eu comprei meus primeiros livros? Acredite se quiser: na revista da Avon.
É loucura pensar nisso hoje, mas minha mãe pegou a revista da Avon com a vizinha que era revendedora. Daí eu olhei a seção de literatura e, dentre as pouquíssimas opções disponíveis lá, fui escolhendo, mês a mês, aqueles que seriam os primeiros livros da minha ainda inexistente estante.
Comparado aos dias atuais em que eu compro sabonete na Amazon e recebo no mesmo dia, era um ritual analógico interessante anotar de caneta meu nome na revista ao lado da capa de um livro e então esperar um mês ou mais pra finalmente ter ele em mãos.
Nesse esquema incomum de compra literária os títulos seguiam um padrão simples: histórias de romance, com capas que normalmente tinham uma foto do filme que foi baseado no livro, e a edição era básica com folhas brancas e sem orelhas.
E foi assim que escolhi meu primeiro livro: Um Dia, do David Nicholls.
Lembro que fiquei apaixonada pela foto da capa com esse efeito meio sépia. Pode ser apenas nostalgia minha, mas gosto dela até hoje, acho que envelheceu bem.
Acho essa folha de rosto belíssima.
Algo que gostava de fazer nessa época era assinar o livro. E como esse foi o primeiro, ele recebeu uma frase especial:
Marquei a página 63 com um asterisco e nunca mais vou saber o motivo.
A época dessa leitura foi interessante porque emprestei o livro pra minha amiga e depois marcamos uma noite na casa dela especialmente pra ver o filme, comer besteirinhas e chorar com o final. Desde então, Um Dia é uma marca registrada da nossa amizade, nunca superamos e nunca iremos superar essa história.
Hoje, morando a milhares de quilômetros de distância dela, fico feliz que guardo essa lembrança física, analógica e palpável, com folhas amareladas e uma capa amassada.
Aqui no blog ainda está disponível a resenha de Um Dia que publiquei em 2013. É como uma capsula do tempo. Não-acredito-que lá-se-foram-13-anos-(!) /ᐠ。ꞈ。ᐟ\
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